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O abstrato antiestético


Por muitas vezes podemos falar do conceito de “abstrato” como o distanciamento da idéia do seu objeto, possibilitando assim a imaginação do objeto que se torna plural. Sendo assim, o “objeto” abstrato provoca no indivíduo uma conceituação de valor, ele precisa enxergar no objeto abstrato uma estética para assim poder imaginar o objeto.


Seria possível haver um objeto abstrato sem essa estética? Seria ele algo ou simplesmente um objeto sem valor conceitual, sem estética, sem expressão?


Os povos indígenas há milênios utilizam seus grafismos como formas abstratas que denotam uma idéia, como peixe, rio, elementos da Natureza e etc. Existiria o grafismo que tentasse interpretar o sem valor ou o nada?


Andei me fazendo estas perguntas, pois tinha visto uma arte gráfica que por definição seria uma imagem de deus. Porém, na minha opinião, deus não poderia ser pintado (mesmo que a pintura denota-se diversas idéias que conceituariam deus) ou imaginado, seria o abstrato que denota as idéias. Mas como falei, todo objeto abstrato denota uma idéia, logo esse abstrato para denotar deus deveria ter previamente a idéia de deus já formada, o que não temos.


Na ausência da idéia, como poderíamos expressar a imagem de deus visto que ela não poderia denotar nenhuma idéia? Antes de tudo, há de ser um objeto abstrato, porém sem idéia, sem objeto imaginativo. Para isso o objeto abstrato deve ir de oposição a qualquer idéia e estética, deve ser antiestética.


Para qualquer coisa ser antiestética ela não deve permitir a sobreposição de uma idéia sobre a outra, em outras palavras, não deve denotar idéia. Como seria uma pintura antiestética? Um quadro branco? Um quadro preto? Nenhum dos dois, pois mesmo uma cor sozinha denota uma idéia (o branco denota paz, o preto denota o mal, por exemplo, e não necessariamente).


Um quadro antiestético não existe, um grafismo antiestético também não existe. Toda estética produzida advém da idéia do homem, o deus por ser antiestético escapa da capacidade cognitiva do ser humano. A arte, por ser uma produção do ser humano não é capaz de expressar deus, apenas as idéias de deus.


Desta maneira, o abstrato antiestético (compreendido também como deus, pois este e o abstrato antiestético são em comum “objetos” sem idéias e incognoscíveis) é tudo aquilo que escapa da produção humana, é tudo aquilo produzido sem idéias, como objetos que bóiam na existência da realidade.

Vida pósmorte e realidade quântica

Atualmente tenho lido alguns textos sobre budismo, satanismo, tenho conversado com amigos sobre a vida pós-morte, refletido em meu canto e pensando em física quântica. Esta última parte pode parecer não ter sentido, mas porque poderíamos achar isso?

Existem duas grandes vertentes acerca da vida após a morte.

A mais difundida, apesar de sua queda progressiva, é a crença cristã na ressurreição; onde acredita-se que no fim dos tempos todos os mortos irão ressuscitar e viver com os vivos ao lado de um deus todo-poderoso, benevolente e que todo o mal irá se dissipar.

Existe também a crença na reencarnação, onde o indivíduo possui uma alma eterna e que passa por diversos ciclos de aprendizagem, assumindo diferentes corpos e identidades, que influenciam nas suas próximas encarnações, para no fim alcançarem a iluminação e se unirem ao Uno.

Mas existe uma outra forma de pensar, muito pouco difundida, na qual pessoalmente chamo de "ciclicionismo", que advém do movimento cíclico. O que seria basicamente? Assim como nosso corpo é criado no útero e ao fim se decompõe para retornar à Terra, o mesmo ocorre com nosso corpo energético. Ao fim de nossa vida ele retorna ao corpo energético da Natureza. Crença sem propósito? Acredito que não, se formos analisar a física quântica, já sabemos da veracidade dos chacras (partes constitutivas do corpo energético), já sabemos que as moléculas podem mudar de identidade sem uma razão aparente, já sabemos da existência de um mundo quântico (possuindo outras regras, outras leis e outras estruturas)  que coexiste com o mundo material estudado pela física mecânica. Veremos também que este mundo quântico influencia e é influenciado diretamente pelo mundo material.

Podemos simplesmente negar este conhecimento ou devemos readaptar a nossa consciência aos novos parâmetros da realidade? Antes de tudo devemos aprender a pensar o impossível, como fez a sociedade ao descobrir que o centro da galáxia era o Sol e não a Terra. Ou quando descobrimos o Big Bang e tomamos consciência de que não foi um deus que criou o universo da maneira que vemos. Nos deparamos com uma outra realidade, onde o que era impossível já é possível. Vocês sabiam que teoricamente a viajem no tempo é possível? Só não temos tecnologia para aplica-la, e quando tivermos?

Já se pensou porque povos antigos tinham conhecimento de coisas que só viemos a descobrir no século passado, como a existência de dimensões paralelas e da relatividade do tempo? Tais povos sempre falaram da meditação, de um corpo imaterial, de outra realidade, por que será? E agora, que a física quântica prova isso devemos relutar em acreditar nisso?

Se provamos que existe um corpo quântico, assim como uma realidade quântica, podemos sim provar a existência de outras dimensões, seres e civilizações. Pode parecer que seja algo meio lunático, ou com nenhum atributo racional, mas o que quero fazer vocês pensarem é: Se o impossível agora é possível, porque não devo aprender a pensa-lo, raciocina-lo e usa-lo para melhor compreender a realidade?

Isso me leva a diversas questões. Se há de fato uma realidade quântica que intervém diretamente nesta realidade material, como devo pensar as relações humanas? E as diferenças culturais? E a consciência coletiva? E a relação do homem com a natureza? Será que esta muito além da mera coexistência?

São todas perguntas sem respostas, muitas já vieram dos "cientistas" do realismo fantástico, mas infelizmente se perderam no lunatismo e suas respostas não possuem embasamento científico básico, ou seja, preposições e conclusões, somente afirmações e especulações! Acho que já esta na hora das ciências naturais e principalmente as sociais tomarem consciência destes aspectos e renovarem a produção acadêmica, muitas destas ciências ainda estão presas no tradicionalismo.

Há uma autora, Dana Zohar que me surpreendeu com a sua obra "Sociedade Quântica", ainda não finalizei a leitura, mas o que ela faz é perfeitamente a união de conceitos e ciências que hoje em dia já não se faz. Formada em Física e Filosofia, disserta sobre as relações quânticas dos indivíduos e a concepção da sociedade quântica. Ainda não posso fazer críticas a sua obra, principalmente quando se fala "promessa revolucionária de uma liberdade verdadeira". Entretanto, vejo que o meio acadêmico esta começando a viabilizar outras formas de pensar.

Para finalizar, a transcrição de um comentário transcrito pela autora no início do capítulo 2:

"- Eu não acredito nisso! Exclamou Alice. - (...) a gente não pode acreditar em coisas impossíveis.
- Parece que você não tem praticado muito - disse a rainha. - Quando eu tinha a sua idade, fazia isso pelo menos meia hora por dia. Às vezes chegava a acreditar em seis coisas impossíveis antes do café da manhã."

Lewis Carrol, Through the Looking Glass
("Através do Espelho")
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